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Pulgas na Rede
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Causo: Lápide Azul
Vou contar um causo pra vocês, esse é light.
Numa cidade - lá em Pedra Branca, sertão central do Ceará - viviam três amigos, Chico Sabiá, João Marreiro e Joaquim Onça. Toda sexta feira pela tarde os três se reuniam no bar do Zéfiro, que fica por trás do cemitério municipal; hoje em dia acho que nem existe mais.
Certa vez os amigos estavam costumeiramente reunidos tomando "umas" no bar, era dia especial, escutem só. Brasil tinha ganhado copa do mundo, tinham conseguido promoção no trabalho, o comercio ia bem, só motivos pra se comemorar. Chico Sabiá, que sempre gostou muito de contar vantagem, contava lá suas histórias de pescador:
- Pois foi! E nessa noite que eu açoitei o tal do lobisomem. bicho grande. Mais de noventa dentes, enormes. O monstro tinha uns três metros de altura, devia ter mais de dez arroubas de "pesagem".
- É mesmo, rapaz? - diziam os amigos à mesa.
- Pois foi! E olhe vocês que eu só tinha uma bala no cano da espingarda. Preparada. Mas não tive medo não. Mirei bem enquanto o bicho rugia, olhei o lance... Pá!... Meti foi bala nos "peito" do lobisomem.
- Hahaha, mas eu não acredito nessa, mas nem bêbado! - Disse João Marreiro.
- É verdade, João! O bicho era feio que nem presta! Parecia com a mulher do Zéfiro...
Todos riram. Era sempre assim. Até que Joaquim Onça levantou, tomou um gole da cana que estavam bebendo e bateu na mesa:
- Pois olhe, Chico Onça! Quero lhe propôr um desafio pra ver se você é macho mesmo. Vá no túmulo da filha do Duque, aquela que todo mundo diz ser assombrada, e pregue um daqueles pregos de viga de construção. Hoje, meia noite. Amanhã a gente vai lá e vê se você fez o trabalho direito.
E lá ia o pobre do Chico Onça tentar provar a hombridade. Chovia torrencialmente, todo mundo apertado dentro da parte coberta do bar, e Chico lá, com um lampião e o prego numa das mãos, o martelo na outra, a maior cara de medo do mundo. Uma capa de chuva "amarelo-cheguei".
Entrou no cemitério. Silêncio, parecia que nem chovia. Só o vento de lado, assoviando coisas, imitando assombração. Uns vultos aqui outro ali. Uma cotia, ou uma coruja, piando em hora inoportuna só para assustar.
Mais à frente, ela. Azul, estática como todas as outras lápides. Chico foi lá, pé ante pé, aproximou-se. Relâmpagos e trovões. Parece que quanto mais se aproximava, pior ficava. Seria mesmo assombrada essa lápide? Que horror! Começou a lembrar das histórias das pessoas que desapareceram rondando pelos portões do cemitério, e lá estava ele, dentro, de frente pro crime! Espere! Que barulho era aquele? Melhor cravar logo o tal do prego e sair correndo!
Chico começou a bater o martelo enquanto olhava pra todos os lados, trêmulo, com medo de ver algum fantasma, assombração ou que diabo quer que se estivesse por ali. O suor frio se misturava com a chuva. O prego... Sim, já estava bem cravado! Finalmente! Porém... Quando foi tentar levantar... Alguém puxou-lhe pela capa com força! Chico ficou tão transtornado que largou martelo, lampião, capa, e correu pra rua, nem passou pelo bar.
Todos gargalharam do Chico Valente - como ficou conhecido - e contam o causo por lá até hoje. E até hoje o coveiro não entendeu, quando andou pelo cemitério na manhã seguinte, porque raios alguém foi por lá durante a noite pra pregar uma capa de chuva amarela com um prego de construção numa lápide azul...
Numa cidade - lá em Pedra Branca, sertão central do Ceará - viviam três amigos, Chico Sabiá, João Marreiro e Joaquim Onça. Toda sexta feira pela tarde os três se reuniam no bar do Zéfiro, que fica por trás do cemitério municipal; hoje em dia acho que nem existe mais.
Certa vez os amigos estavam costumeiramente reunidos tomando "umas" no bar, era dia especial, escutem só. Brasil tinha ganhado copa do mundo, tinham conseguido promoção no trabalho, o comercio ia bem, só motivos pra se comemorar. Chico Sabiá, que sempre gostou muito de contar vantagem, contava lá suas histórias de pescador:- Pois foi! E nessa noite que eu açoitei o tal do lobisomem. bicho grande. Mais de noventa dentes, enormes. O monstro tinha uns três metros de altura, devia ter mais de dez arroubas de "pesagem".
- É mesmo, rapaz? - diziam os amigos à mesa.
- Pois foi! E olhe vocês que eu só tinha uma bala no cano da espingarda. Preparada. Mas não tive medo não. Mirei bem enquanto o bicho rugia, olhei o lance... Pá!... Meti foi bala nos "peito" do lobisomem.
- Hahaha, mas eu não acredito nessa, mas nem bêbado! - Disse João Marreiro.
- É verdade, João! O bicho era feio que nem presta! Parecia com a mulher do Zéfiro...
Todos riram. Era sempre assim. Até que Joaquim Onça levantou, tomou um gole da cana que estavam bebendo e bateu na mesa:
- Pois olhe, Chico Onça! Quero lhe propôr um desafio pra ver se você é macho mesmo. Vá no túmulo da filha do Duque, aquela que todo mundo diz ser assombrada, e pregue um daqueles pregos de viga de construção. Hoje, meia noite. Amanhã a gente vai lá e vê se você fez o trabalho direito.
E lá ia o pobre do Chico Onça tentar provar a hombridade. Chovia torrencialmente, todo mundo apertado dentro da parte coberta do bar, e Chico lá, com um lampião e o prego numa das mãos, o martelo na outra, a maior cara de medo do mundo. Uma capa de chuva "amarelo-cheguei".Entrou no cemitério. Silêncio, parecia que nem chovia. Só o vento de lado, assoviando coisas, imitando assombração. Uns vultos aqui outro ali. Uma cotia, ou uma coruja, piando em hora inoportuna só para assustar.
Mais à frente, ela. Azul, estática como todas as outras lápides. Chico foi lá, pé ante pé, aproximou-se. Relâmpagos e trovões. Parece que quanto mais se aproximava, pior ficava. Seria mesmo assombrada essa lápide? Que horror! Começou a lembrar das histórias das pessoas que desapareceram rondando pelos portões do cemitério, e lá estava ele, dentro, de frente pro crime! Espere! Que barulho era aquele? Melhor cravar logo o tal do prego e sair correndo!
Chico começou a bater o martelo enquanto olhava pra todos os lados, trêmulo, com medo de ver algum fantasma, assombração ou que diabo quer que se estivesse por ali. O suor frio se misturava com a chuva. O prego... Sim, já estava bem cravado! Finalmente! Porém... Quando foi tentar levantar... Alguém puxou-lhe pela capa com força! Chico ficou tão transtornado que largou martelo, lampião, capa, e correu pra rua, nem passou pelo bar.
Todos gargalharam do Chico Valente - como ficou conhecido - e contam o causo por lá até hoje. E até hoje o coveiro não entendeu, quando andou pelo cemitério na manhã seguinte, porque raios alguém foi por lá durante a noite pra pregar uma capa de chuva amarela com um prego de construção numa lápide azul...
Essência
Bom segundo dia de 2012 pra vocês! Estava prrocurando sobre o que escrever e de repente "reencontrei" um blog, ou espaço virtual - daquele site multiply.com, onde tinha uma página pessoal há muito tempo... Pensei até que estava fora do ar, mas ainda está por lá. Reli um dos escritos e achei interessante compartilhar, por se tratar da mesma idéia do blog!
17 de Maio de 2006 - 22:26
17 de Maio de 2006 - 22:26
Outro dia, enquanto me meti a dar umas aulas de literatura, eu e meus "alunos" (por assim dizer...) começamos a abordar uns assuntos interessantes referentes a Poesia.
Não é algo fácil de se tratar... poesia moderna é uma coisa que não tem regras; ou tem! Mas, essencialmente, predomina o "ponto de vista". Se você tem o ponto de vista igual ao meu, fazemos o mesmo "timbre" descritivo. Pode ser que nossas metodologias poéticas sejam diferentes, até.
Conversa vai, conversa vem (e aula nada... mas no fim das contas, foi a melhor aula!), e chegamos no ponto que tratava a beleza estética de uma poesia. É outro assunto difícil de se tratar, porque TAMBÉM depende muito de ponto de vista. Assim como o certo e o errado; assim como o que é pecado e o que não é... É tudo muito relativo, é tudo muito humano. A gente não pode apontar, neste conjunto universo, nada que seja uma verdade natural, nada. Mas, enfim, ousamos discutir beleza, ousamos discutir estética. Ousamos apontar o que "funciona", dentro de uma composição literal (seja letra de música, seja poesia, ou ambos)...
O que acontece é que muitas vezes há muita erudição desnecessária. Há muito enfeite. Várias coisas podem ser ditas de forma simples e obter efeitos surpreendentes, profundos, metafísicos, inexatos! E como não poderia deixar de ser? Inovação lingüística, neologismos... tudo se encontra dentro do padrão moderno... mas nem tudo "funciona". E o que é que "funciona", se tudo depende do "ponto de vista"?
Aí é que está... não existe uma receita de bolo para a escrita, é óbvio. E seria muito clichê dizer que "escrever com sentimento" tornaria sua poesia uma obra mais qualificada do que uma outra que foi escrita de forma menos... ? ...
A gente pode tomar um exemplo. "E os corpos frios e frígidos/mas tórridos, semblante ao sol; homens/tomaram o rumo da partida/o rumo oceânico/o rumo de onde vieram as artes, onde residem os segredos/o Mar intenso e sedutor/ a eloqüência das paixões, a onda-desatino/de onde viemos, e para onde iremos/como um grande ciclo, uma grande espiral/uma grande maré". É notável o uso de atributos até pretensiosamente eruditos, uma linguagem de certa forma refinada e rebuscada...
Agora vamos para uma nova forma de escrever o mesmo tema:
"Minha jangada vai sair, pro mar,
Vou trabalhar,
Meu bem querer,
Se Deus quiser,
Quando eu voltar, do mar
Um peixe bom,
Eu vou trazer,
Meus companheiros também vão voltar,
E a Deus do céu vamos agradecer !"
Percebem como uma escrita simples, até coloquial; o que está escrito não é mais do que o que um pescador; que não tem tanto conhecimento de escrita por primordializar outras virtudes; poderia dizer! E isso toca fundo em qualquer pessoa que perceba o que está sendo dito! Se consegue imaginar o sentimento de tristeza, de coragem, de perda... de saudade, de nostalgia, de ausência... o que ocorre na vida de um pescador...
Mas a gente escreve interpretações literais num outro momento. O importante é que a questão não é escrever a seu "ponto de vista". A questão é conseguir passar algo, fazer alguém que lê, relê ou estuda o que foi escrito, sentir, e não propriamente entender... Por mais complicado que isso seja. É o "olhar' das palavras...
domingo, 1 de janeiro de 2012
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